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Crescendo online: criando experiências digitais mais seguras e adequadas à idade para crianças.

Mitali Sud | 27th Maio, 2026
Um jovem usa seu smartphone, possivelmente para acessar redes sociais, que é o foco principal da consulta do governo.

A seguir, apresentamos um resumo da nossa resposta à consulta pública do governo do Reino Unido intitulada "Crescendo no mundo online". Uma cópia da nossa resposta completa pode ser encontrada no final deste blog.

Resumo

Introdução

As crianças estão crescendo em um mundo digital que nem sempre é projetado pensando nelas. A consulta pública do governo intitulada "Crescendo no mundo online" questiona, acertadamente, quais ações adicionais são necessárias para tornar esse mundo mais seguro, saudável e positivo para as crianças.

Na Internet Matters, saudamos esta conversa tão necessária. A tecnologia digital está agora integrada na forma como as crianças aprendem, socializam, brincam, criam, buscam apoio e acessam informações. Ela continuará a fazer parte da vida das crianças, inclusive na educação e no futuro profissional.

Ainda nossas evidências Estudos mostram que três em cada quatro crianças relatam ter sofrido danos online, enquanto 44% afirmam passar tempo demais na internet. Os pais compartilham dessas preocupações e muitos desejam ações mais enérgicas do governo e das plataformas para tornar os serviços online mais seguros e adequados à idade.

Dado que a tecnologia digital já está integrada à vida das crianças, a solução não pode ser simplesmente mantê-las longe do mundo online. Precisamos tornar os serviços online que elas utilizam mais seguros, mais adequados à idade e melhor projetados para o seu bem-estar. Este é o argumento central da resposta da Internet Matters à consulta do governo.

Por que proibições generalizadas não são suficientes

Apelos para proibir crianças de usar redes sociais Essas preocupações têm origem nas inquietações de pais e responsáveis. Muitas famílias sentem que os serviços online não têm feito o suficiente para proteger as crianças de danos e que é necessária uma intervenção mais robusta.

No entanto, uma proibição total das redes sociais provavelmente não será a solução ideal por si só. As crianças utilizam uma ampla gama de serviços online de diferentes maneiras. Os riscos não se restringem aos serviços rotulados como "redes sociais"; eles também podem surgir em serviços de mensagens, plataformas de jogos, serviços de transmissão ao vivo, chatbots com inteligência artificial e outros ambientes online onde as crianças podem interagir com outras pessoas, compartilhar conteúdo, ser contatadas por estranhos ou mantidas online por meio de estratégias persuasivas.

Nossa pesquisa também sugere que os pais apoiam ações direcionadas, em conjunto com, e em muitos casos em vez de, uma proibição total. Quando questionados sobre quais alternativas apoiariam em vez de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, apenas 10% dos pais selecionaram "nenhuma dessas – apoio a proibição". Os pais demonstraram maior apoio a controles parentais automáticos para contas de redes sociais de menores de 16 anos (39%), contas infantis ou para adolescentes por padrão (38%), remoção de recursos criados para manter crianças online por mais tempo (35%), aprovação explícita dos pais para que menores de 16 anos criem contas (35%) e restrições a certas funcionalidades (34%).

Isso aponta para a necessidade de uma abordagem mais direcionada: reduzir os riscos específicos que as crianças enfrentam online, preservando ao mesmo tempo o acesso a espaços digitais seguros, benéficos e adequados à idade.

Uma abordagem mais direcionada

A Internet Matters não apoia uma proibição generalizada do acesso de crianças às redes sociais. Em vez disso, recomendamos que o governo adote uma abordagem direcionada e baseada em riscos para a segurança online das crianças.

Isso significa que os serviços usados ​​por crianças devem demonstrar que seu design, configurações padrão, recursos e medidas de segurança são adequados para as crianças que os utilizam. Caso um serviço não consiga comprovar que crianças de determinada faixa etária podem usá-lo com segurança, ele não deverá ser disponibilizado a elas, nem esses recursos.

O governo também deve restringir o acesso de crianças às funcionalidades que representam riscos significativos para elas, onde quer que estejam presentes, e não apenas em serviços formalmente categorizados como redes sociais. Isso inclui impedir que menores de 18 anos enviem ou recebam imagens ou vídeos de nudez, restringir conteúdo efêmero e transmissões ao vivo para menores de 16 anos, limitar a visibilidade de locais de risco, restringir o contato privado com adultos desconhecidos e abordar recursos de design persuasivos que incentivam o uso prolongado ou compulsivo.

Qualquer restrição baseada na idade só funcionará se for apoiada por verificações de idade rigorosas e fiscalização eficaz. nossa pesquisa A pesquisa revela que 46% das crianças acreditam que as verificações de idade são fáceis de burlar, e 32% afirmam tê-las burlado em um período de dois meses. Portanto, a verificação de idade precisa funcionar na prática, proteger a privacidade e ser usada para proporcionar experiências mais seguras e adequadas à idade – e não simplesmente para bloquear o acesso.

As famílias também precisam de apoio.

Um design de serviços mais seguro e regulamentações eficazes são essenciais, mas não bastam por si só. Crianças e famílias também precisam de habilidades, conhecimento e confiança para navegar em ambientes digitais de forma segura e positiva.

Isso significa uma educação mais robusta em mídia e alfabetização digital nas escolas, orientações práticas para os pais, melhor apoio para crianças com necessidades especiais e alfabetização midiática integrada aos serviços online desde a sua concepção. Esse apoio deve acompanhar a velocidade com que a tecnologia muda. À medida que a IA e outras tecnologias emergentes se tornam parte integrante dos serviços cotidianos das crianças, tanto a alfabetização midiática quanto a regulamentação das plataformas precisam evoluir.

Os pais também precisam de ferramentas mais fáceis de encontrar, mais simples de usar e mais consistentes entre os serviços. Nossa pesquisa revela que 83% dos pais concordam que os controles parentais devem ser padronizados em todas as plataformas online. Os controles parentais, as orientações sobre o tempo de tela e o apoio à alfabetização midiática podem ajudar as famílias, mas não devem ser tratados como substitutos da responsabilidade pelas plataformas.

O que o Governo deve fazer a seguir

A resposta da Internet Matters apresenta um conjunto de recomendações para o Governo. Recomendamos que o Governo:

As crianças devem poder usufruir da tecnologia digital de forma segura, positiva e adequada à sua idade e fase de desenvolvimento. O objetivo não deve ser excluir as crianças da vida digital, mas sim tornar o mundo digital mais seguro e melhor para elas.

Recursos de apoio

Sobre o autor

Mitali Sud

Mitali Sud

Gerente Sênior de Políticas na Internet Matters

Mitali lidera o desenvolvimento de soluções políticas na Internet Matters, defendendo um ambiente online mais seguro para crianças.

Uma família sentada no sofá, segurando vários dispositivos e um cachorro sentado a seus pés

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